10 de março de 2012

Medicos abusam nas prescrições de medicamentos controlados



Anvisa apura se há excessos médicos na quantidade de prescrições de medicamentos de uso controlado
(Se tiver angustiada e com febre - diazepan. Sem sono - rivotril. Com dor-lorax. Chateado-Prozac. Cansado e com sono-Anfetaminas .. Gordinha-sibutramina e por ai vai...)
Brasília – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga possíveis excessos médicos na prescrição de medicamentos de uso controlado, os chamados tarja preta. Segundo o diretor-presidente da agência, Dirceu Barbano, alguns profissionais têm receitado uma quantidade muito grande desses remédios, gerando o que ele classificou como “situações suspeitas”.
“A Anvisa já está empenhada na apuração dessas distorções”, afirmou Barbano, evitando dar detalhes sobre as suspeitas. “Elas vão ser tratadas nas devidas apurações e divulgadas à medida que algo for comprovado”.
Barbano lembrou que a agência vem monitorando os casos considerados atípicos envolvendo os medicamentos controlados desde 2009, quando o país passou a discutir a prescrição indiscriminada de remédios para emagrecer. Em outubro de 2011, a Anvisa baniu do mercado os emagrecedores à base de anfetamina. Pesquisas apontavam para o risco desses medicamentos causarem problemas cardíacos e ao sistema nervoso central.
De acordo com Barbano, na época, graças ao Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), foi possível identificar casos de profissionais que chegavam a prescrever 50 tratamentos à base de inibidores de apetite por dia. Algo que, segundo o diretor-presidente, pode agora estar ocorrendo com outros medicamentos controlados.
“Agora, como naquelas situações, temos que identificar o profissional, como ele obteve os talonários de receita, se a vigilância sanitária municipal já tomou providências, se, quando configurado o comportamento indevido, isso foi comunicado ao conselho de medicina”.
Barbano diz que somente a partir dos próximos relatórios, com os dados consolidados de 2011 e os preliminares de 2012, será possível apontar medidas que as autoridades sanitárias devem adotar. “Espero que essas informações sirvam para que tenhamos uma série histórica não só sobre o consumo, mas também das distorções, para verificar se elas se repetem, onde e por quais profissionais”.
Nesta sexta-feira a Anvisa divulgou um boletim técnico com informações a respeito do consumo de medicamentos controlados. O documento indica que, desde 2007, os ansiolíticos feitos a partir de substâncias como o clonazepam, bromazepam e alprazolam são os mais consumidos entre os 166 princípios ativos listados numa portaria que inclui as substâncias usadas em outros medicamentos de uso controlado, como emagrecedores e anabolizantes. A venda legal do primeiro deles, comercializado com o nome fantasia Rivotril, saltou de 29,46 mil caixas em 2007 para 10,59 milhões em 2010.
Os números, no entanto, não são fidedignos. Segundo Barbano, até 2008, poucas farmácias autorizadas a vender os medicamentes tarja preta prestavam informações em tempo real ao SNGPC. E, apesar de uma melhora gradativa na qualidade das informações fornecidas ao sistema, ainda não são todos os estabelecimentos que fornecem os dados, o que o diretor-presidente acredita que ocorra em breve.
“Estamos chegando ao número que é efetivamente comercializado. Isso irá nos permitir dizer se os números são ou não são altos para o Brasil. Por enquanto, temos um número crescente de prescrições e estamos tentando caracterizar quais são os produtos e quem são os profissionais que os recomendam para, então, analisar o que deve ser feito”, concluiu Barbano.


Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida

Um dia, quando os funcionários chegaram para trabalhar, encontraram na portaria um cartaz enorme, no qual estava escrito:

"Faleceu ontem a pessoa que atrapalhava sua vida na Empresa. Você está convidado para o velório na quadra de esportes".

No início, todos se entristeceram com a morte de alguém, mas depois de algum tempo, ficaram curiosos para saber quem estava atrapalhando sua vida e bloqueando seu crescimento na empresa. A agitação na quadra de esportes era tão grande, que foi preciso chamar os seguranças para organizar a fila do velório.
Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação aumentava:
- Quem será que estava atrapalhando o meu progresso?
- Ainda bem que esse infeliz morreu!
Um a um, os funcionários, agitados, se aproximavam do caixão, olhavam pelo visor do caixão a fim de reconhecer o defunto, engoliam em seco e saiam de cabeça abaixada, sem nada falar uns com os outros. Ficavam no mais absoluto silêncio, como se tivessem sido atingidos no fundo da alma e dirigiam-se para suas salas. Todos, muito curiosos mantinham-se na fila até chegar a sua vez de verificar quem estava no caixão e que tinha atrapalhado tanto a cada um deles.
A pergunta ecoava na mente de todos: "Quem está nesse caixão"?
No visor do caixão havia um espelho e cada um via a si mesmo...
Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: VOCÊ MESMO! Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida. Você é a única pessoa que pode prejudicar a sua vida. Você é a única pessoa que pode ajudar a si mesmo.

"Sua vida não muda quando seu chefe muda, quando sua empresa muda, quando sua empresa muda, quando seus pais mudam, quando seu(sua) companheiro(a) muda. Sua vida muda quando vc muda! Você é o único responsável por ela!

O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos. A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença.
A vida muda, quando "você muda"


Luiz Fernando Veríssimo

Tempo ... tempo ...

"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente". Carlos Drummond de Andrade

7 de março de 2012






Antipsicóticos: trocar ou não trocar?


Autor: Jeffrey A. Lieberman, MD
Publicado em 26/08/2011

Olá. Eu sou o Dr. Jeffrey Lieberman, da Universidade de Columbia, falando para o Medscape. Hoje, quero abordar a questão de como e quando mudar a medicação ou as medicações antipsicóticas e o que esperar com a mudança. Este é um procedimento padrão no curso do tratamento de pacientes com transtornos psicóticos, como a esquizofrenia, e pode ser necessário devido a diversas ocorrências. Pode-se mudar a medicação porque ela não é eficaz e não está controlando os sintomas adequadamente, ou quando, apesar de eficaz, não está alcançando o nível de resposta terapêutica desejada, o que significa a persistência de sintomas residuais. A medicação pode estar produzindo efeitos adversos indesejados que representam problemas de tolerabilidade e segurança. Por essas razões, pode-se considerar a mudança para outra medicação para melhorar sua eficácia e controle dos sintomas ou para melhorar a tolerabilidade e segurança.

Recentemente, três artigos apresentaram estudos muito rigorosos sobre a questão da mudança. Vou comentá-los como uma forma de ilustrar as vantagens e desvantagens da mudança. Geralmente, quando um paciente está relativamente estável com um antipsicótico, mas com algum nível de sintomas residuais, tendemos a considerar a troca da medicação para avaliar a possibilidade de uma melhora no controle dos sintomas. Consideramos também que outros medicamentos apresentarão eficácia equivalente ou comparável, portanto não haverá qualquer perda da capacidade de manter o nível de resposta alcançado e que as medicações vão produzir esta tolerância cruzada em termos de eficácia. Esta suposição pressupõe que a mudança não terá nenhuma desvantagem. Pode não melhorar o nível de controle dos sintomas em relação à medicação antipsicótica anterior, mas poderia melhorar os efeitos adversos e poderia ser mais eficaz, embora não tenhamos certeza quanto ao controle dos sintomas. A única troca que sabemos ter uma grande chance de ser mais eficaz é para a clozapina no paciente com sintomas residuais ou refratário.

No entanto, em 2006, Essock e colaboradores publicaram os resultados obtidos com pacientes inscritos no estudo CATIE (Ensaio Clínico de Intervenção para Eficácia de Antipsicóticos). Estes pacientes haviam sido randomizados para um de 5 medicamentos. Assim, alguns pacientes mudaram a medicação de que estavam em uso quando entraram no estudo e outros pacientes permaneceram com o mesmo medicamento, porque eles foram randomizados para a mesma medicação que estavam recebendo anteriormente. Essock e colaboradores descobriram que quando os pacientes que estavam estáveis, mas com sintomas residuais, trocaram a medicação, houve uma maior taxa de abandono do tratamento devido à desestabilização ou a novos efeitos colaterais associados à mudança. Este fato aconteceu particularmente com os pacientes que, antes da mudança, estavam em uso de olanzapina ou risperidona. Isso significa que a mudança de um medicamento para outro apresenta um risco significativo de desestabilização e, que foi necessário voltar para a medicação anterior ou mudar para um novo medicamento para estabilizar o paciente novamente. Esta foi uma importante lição de que a mudança tem riscos e que a razão para mudar deve justificar esses riscos.

Uma segunda publicação de Essock e colaboradores analisou a conduta de tentar mudar os pacientes em uso de múltiplos medicamentos antipsicóticos para a monoterapia antipsicótica. Pacientes que estavam recebendo múltiplas medicações antipsicóticas foram randomizados para continuar estas múltiplas medicações ou ter uma medicação diminuída e interrompida, deixando-os com apenas um único antipsicótico. Este estudo encontrou que uma proporção de indivíduos que estavam tomando duas medicações antipsicóticas, e foram randomizados para diminuir e interromper uma delas, desestabilizavam e precisavam voltar para o regime de múltiplas drogas. Isso só aconteceu em um terço dos pacientes randomizados para eliminar uma medicação. Dois terços foram capazes de tolerar a monoterapia e a estabilidade foi sustentada com uma medicação ou houve melhora dos efeitos adversos.

Assim, este estudo respalda os esforços para simplificar os regimes farmacológicos, reduzindo a polifarmácia com medicações antipsicóticos. Isso precisa ser feito com cuidado e de forma gradual, com o entendimento de que uma proporção de pacientes não vai tolerar a redução e pode precisar voltar ao seu regime de múltiplas medicações. Mais uma vez: existe um risco na redução de um regime de politerapia para a monoterapia.

Em um terceiro estudo, Stroup e colaboradores fizeram esta pergunta: Mudar o antipsicótico atual para outro com menor potencial de causar distúrbios metabólicos nos pacientes que sofrem com os efeitos colaterais da obesidade, de um índice de massa corpórea elevado, peso corporal elevado, ou síndrome metabólica é a conduta correta? Os investigadores randomizaram pacientes que preenchiam os critérios para a síndrome metabólica para mudar para o aripiprazol, para um antipsicótico que não altera o peso ou com menor potencial de causar distúrbios metabólicos ou para permanecer com o regime em uso - olanzapina, quetiapina, ou risperidona. Eles observaram que os indivíduos que mudaram para o aripiprazol apresentaram reduções estatisticamente significantes no peso e na gravidade da síndrome metabólica, mas que um número substancial desses pacientes se desestabilizou e precisaram retornar à suas medicações anteriores ou ser tratados com medicamentos adicionais para a estabilização.

A mensagem deste estudo é que a mudança de um medicamento antipsicótico que causa ganho de peso ou distúrbios metabólicos na glicose e nos lipídios pode aliviar os efeitos adversos, mas existe um risco potencial de não se conseguir manter a estabilidade psiquiátrica ou o nível de remissão que tinha sido anteriormente alcançado. Essa mudança vai funcionar para alguns pacientes, mas não para todos. Para a mudança, é preciso haver razões para a mesma, certificar-se de que justificam o risco e, ao fazê-la, estar preparado para voltar atrás ou tomar medidas adicionais para tratar e estabilizar os pacientes, se o estado mental ou clínico se deteriorar.

Como disse Oscar Wilde, “a verdade raramente é simples e nunca pura” e este é o caso com a mudança de drogas antipsicóticas. É algo que devemos considerar no curso do tratamento clínico dos pacientes, mas não é uma manobra simples ou sem complicações.

Eu sou o Dr. Jeffrey Lieberman, da Universidade de Columbia, falando para o Medscape. Muito obrigado e até breve.


Essock SM, Covell NH, Davis SM, Stroup TS, Rosenheck RA, Lieberman JA. Effectiveness of switching antipsychotic medications. Am J Psychiatry. 2006;163:2090-2095. Essock SM, Schooler NR, Stroup TS, et al. Effectiveness of switching from antipsychotic polypharmacy to monotherapy. Am J Psychiatry. 2011;168:702-708. Stroup TS, McEvoy JP, Ring KD, et al; the Schizophrenia Trials Network. A randomized trial examining the effectiveness of switching from olanzapine, quetiapine, or risperidone to aripiprazole to reduce metabolic risk: comparison of antipsychotics for metabolic problems (CAMP). Am J Psychiatry. 2011 Jul 18.

Professor and Chairman, Department of Psychiatry, Columbia University College of Physicians and Surgeons; Psychiatrist in Chief, New York Presbyterian Hospital, New York, New York

UMA BOA RAZÃO PARA SER LOUCO POR NOZES

Autora: Denise Mann
Publicado em 05/12/2012

Espalhe algumas nozes em sua salada hoje a noite. Seu coração agradece.

Um novo estudo mostra que quando se trata de benefícios cardiovasculares, nozes cozidas e cruas são muito boas.

Pesquisadores da University of Scranton em Scranton, Pa., compararam a quantidade de poderosos antioxidantes chamados polifenóis em nove tipos de nozes cruas e cozidas e em dois tipos de manteiga de amendoim. Eles também testaram como os antioxidantes das castanhas são efetivos para a saúde cardiovascular, através de análises laboratoriais.

Um vencedor emergiu claramente desse grupo de alimentos: as nozes.

Os achados foram publicados no jornal Food & Function.

Sejam cruas ou cozidas, as nozes ganham a competição. As nozes possuem a maior quantidade de polifenóis. Esses compostos parecem reduzir o risco de doença cardiovascular por diminuírem os níveis de colesterol sérico, melhorarem o fluxo sanguíneo, e reduzir a inflamação relacionada à doença cardiovascular. Além disso, as nozes – que são ricas em gordura – não necessariamente se relacionam ao ganho de peso.

As nozes não apenas tem mais polifenóis, como também possuem os polifenóis mais potentes, dizem os pesquisadores.

Nozes cruas e cozidas lideram

Depois das nozes cruas, a quantidade de polifenóis encontrada nas castanhas segue a seguinte ordem descendente:

■Castanha do Pará
■Pistache
■Noz pecan
■Amendoim
■Amêndoa
■Noz de macadâmia
■Castanha de caju
■Avelã
Dentre as nozes cozidas, os vencedores são:

■Castanha do Pará
■Avelã
■Amendoim
■Noz pecan
■Castanha de caju
■Noz de macadâmia
■Amêndoa
■Pistache
A conclusão?

“As castanhas são um lanche ou um tempero nutritivo, fornecendo nutrientes e antioxidantes, que levam a benefícios significativos na saúde,” concluem os autores do estudo.


Vinson J.A., Cai, Y. Food & Function. 2012. In press.

Denise Mann is a freelance medical writer.

Mortes por câncer diminuem, mas a incidência aumenta

Autora: Roxanne Nelson
Publicado em 05/01/2012



A boa notícia é que as taxas de mortalidade por câncer diminuíram tanto para homens quanto para mulheres. A notícia não tão boa é que as taxas de incidência de alguns tipos de câncer parecem estar aumentando.

De acordo com um relatório publicado pela Sociedade Americana do Câncer e publicado online em 04 de janeiro em 2 partes em CA: A Cancer Journal for Clinicians, as taxas de mortalidade específica por câncer de 1999 a 2008 diminuíram tanto em homens quanto em mulheres de todos os grupos raciais/étnicos, com exceção de índios americanos/nativos do Alasca, para os quais as taxas mantiveram-se estáveis.

Uma parte do relatório observa que a redução global nas taxas de mortes por câncer desde 1990 em homens e 1991 em mulheres preveniu cerca de 1.024.400 mortes por câncer.

Digno de nota, a queda mais rápida na taxa de mortalidade anual foi observada entre os negros (2,4%) e hispânicos (2,3%).

As taxas de mortalidade continuam a diminuir para todos os 4 principais tipos de câncer (pulmão, cólon, mama e próstata). O câncer de pulmão isoladamente respondeu por quase 40% do declínio total em homens e o câncer de mama respondeu por 34% do declínio total em mulheres.

Para todos os quatro principais tipos de câncer a incidência diminuiu, com exceção do câncer de mama em mulheres, que se manteve relativamente estável de 2005 a 2008, após recuar 2% por ano de 1999 a 2005.

As taxas de mortalidade refletem mudanças na incidência, assim como os progressos e avanços no tratamento e diagnóstico, explicou Elizabeth Ward, PhD, vice-presidente nacional de pesquisa intramural para a Sociedade Americana do Câncer.

As tendências de incidência são mais difíceis de interpretar, ela disse ao Medscape Medical News. Ela observou, por exemplo, que as taxas de incidência do câncer de mama têm flutuado. O acentuado declínio de quase 7% entre 2002 e 2003 foi atribuído à redução do uso de terapia de reposição hormonal após a publicação dos resultados do estudo Women's Health Initiative em 2002.

Além disso, a introdução de programas de rastreio pode ter levado a um aumento da incidência, disse a Dra. Ward. “As taxas de incidência se elevaram para o câncer de próstata quando o teste de PSA foi introduzido, por exemplo. Mas as taxas de mortalidade estão caindo para todos os quatro tipos principais, mesmo se não se relacionando com as tendências de incidência."

Taxas crescentes para sete cânceres

Infelizmente, as taxas de incidência para outros cânceres têm aumentado. Em outra parte do relatório, os pesquisadores examinaram tendências nas taxas de incidência de 1999 a 2008 para 7 tipos de câncer.

Durante a última década, as taxas de incidência de câncer de pâncreas, fígado, tireoide, rim e do melanoma aumentaram. Além disso, houve um aumento de adenocarcinoma de esôfago e em certos subtipos de câncer orofaríngeo que estão associados à infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Diferenças raciais/étnicas foram observadas para alguns, mas não todos os cânceres com taxas de incidência crescente.

Por exemplo, a incidência aumentada de câncer orofaríngeo relacionado ao papilomavírus humano e do melanoma foram observados somente entre os brancos. Taxas aumentadas de adenocarcinoma de esôfago foram observadas entre os brancos e os homens hispânicos. Taxas de hepatocarcinoma aumentaram em homens brancos, negros e hispânicos e em mulheres negras. Por outro lado, as incidências crescentes de câncer de tireoide e rim foram observadas em todos os grupos raciais/étnicas, exceto os homens nativos americanos e nativos do Alasca.

A Sociedade Americana do Câncer descobriu que as pessoas entre 55 e 64 anos de idade tiveram o maior aumento na incidência de câncer hepático e de orofaringe relacionado ao papiloma vírus humano. Indivíduos com 65 anos ou mais tiveram um aumento na taxa de incidência de melanoma. Para homens com carcinoma de orofaringe relacionados ao papilomavírus e as mulheres com câncer de tireoide, as taxas de incidência crescentes foram maiores entre as pessoas entre 55 e 64 anos de idade.

As razões para essas tendências de aumento não estão totalmente claras, disse a Dra. Ward, acrescentando que pode haver uma série de razões subjacentes. A incidência aumentada de carcinoma de orofaringe relacionado com o papilomavírus, por exemplo, pode estar associado a mudanças nos comportamentos sexuais que aumentam o risco de exposição ao HPV.

“O adenocarcinoma de esôfago pode estar relacionado às taxas crescentes de obesidade e a uma prevalência aumentada de doença do refluxo gastroesofágico”, disse ela. “Isto, por sua vez, pode levar a “esôfago de Barrett.”

A maior incidência de câncer de tireoide e de rim é muito menos clara. “Há suspeitas de que parte da razão é um aumento na detecção, à medida que nossa tecnologia melhora”, explicou a Dra. Ward. “Isso pode ser parte da explicação, ou pode ser realmente um aumento real e nós simplesmente ainda não sabemos as causas reais.”

“O câncer de tireoide é realmente um quebra-cabeça”, disse ela. “Está aumentando rapidamente e já estão sendo conduzidas pesquisas para determinar as razões deste aumento. Para outros tipos de câncer, podemos ter um melhor controle sobre as razões pelas quais estão aumentando e há algumas medidas de saúde pública que podem ser tomadas.”

Variações entre grupos étnicos/raciais

Houve um total de 565.469 mortes por câncer registrado nos Estados Unidos em 2008, que é o ano mais recente para os quais dados estão disponíveis. O câncer foi responsável por 23% de todas as mortes registradas nos Estados Unidos, o que o torna a segunda maior causa de morte, atrás das doenças cardiovasculares. De 2007 a 2008, houve um declínio na taxa de mortalidade por câncer padronizada por idade de 1,5%, de 178,4 para 175,8 por 100.000.

Existem variações regionais/geográficas consideráveis na incidência e mortalidade por câncer, observa o relatório. O câncer de pulmão, por exemplo, teve a maior variação nas taxas, refletindo a prevalência do tabagismo. Em Kentucky, que tem a maior prevalência de tabagismo, o câncer de pulmão é quase 4 vezes mais frequente que em Utah, estado com a menor prevalência de tabagismo.

As taxas de incidência e de mortalidade do câncer continuam a mostrar uma variação considerável de acordo com o grupo racial e étnico. Como já foi publicado pelo Medscape Medical News, disparidades raciais e étnicas continuam a existir no tratamento do câncer, mesmo após fatores como seguro e status socioeconômico serem controlados, e um número desproporcional de mortes relacionadas ao câncer ocorre em minorias raciais/étnicas.

O que mais chama atenção é o fato de que para todos os tipos de câncer combinados, homens negros têm uma incidência 15% maior e uma taxa de mortalidade 33% maior do que os homens brancos nos Estados Unidos. Mulheres negras têm uma incidência 6% menor que as mulheres brancas, mas uma taxa de mortalidade 16% maior.

Nos Estados Unidos, as taxas de incidência e morte são consistentemente maiores em negros do que em brancos, com exceção das mulheres com câncer de mama (incidência) e de pulmão (incidência e mortalidade), e de homens e mulheres com carcinoma renal (mortalidade). No entanto, tanto a incidência quanto as taxas de mortalidade são mais baixas em outros grupos étnicos/raciais que em brancos e negros nos Estados Unidos para todos os subtipos de câncer e para os 4 tipos mais comuns.

A exceção é a incidência e mortalidade de cânceres associados a agentes infecciosos, como estômago, fígado e colo do útero, que tendem a serem maiores nos grupos minoritários que em brancos. Como exemplo, as taxas de incidência e de mortalidade são duas vezes maiores em norte-americanos de descendência asiática e insular do Pacífico em relação aos brancos, o que reflete um maior grau de infecção crônica pelo Helicobacter pylori e vírus das hepatites B e C.

Projeções para 2012

Estas estatísticas atuais fornecem uma mensagem um pouco confusa, disse Richard Schilsky, MD, ex-presidente da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e atual editor executivo do site da ASCO, CancerProgress.Net. “A grande notícia é que as taxas de mortalidade por câncer continuam a diminuir e têm sido assim por algum tempo”, ele disse ao Medscape Medical News. “Isto é verdadeiro para o câncer em geral, e especialmente para os cânceres mais comuns.”

No entanto, está claro que outros tipos de câncer estão aumentando, disse o Dr. Schilsky, que é professor de medicina, chefe de hematologia/oncologia e vice-diretor do Comprehensive Cancer Center da Universidade de Chicago, Illinois. “Nós também não observamos esses declínios em alguns segmentos da população, especialmente os afro-americanos."

Identificar o aumento da incidência de alguns cânceres pode ser útil. “Pelo menos em alguns casos, pode haver uma explicação subjacente com a qual podemos lidar e esperamos resolver”, disse ele.

O Dr. Schilsky acrescentou que as melhores notícias são que mais de 1 milhão de mortes atribuíveis ao câncer foram evitadas na última década. “Isso é muito encorajador.”

Para 2012, a Sociedade Americana de Câncer estima que haja 1,6 milhões de novos casos de câncer invasivo e 577.190 mortes relacionadas ao câncer, o que corresponde a mais de 1.500 mortes por dia.

Para os homens, os cânceres de próstata, pulmão e brônquios e cólon e reto serão os tipos mais comuns diagnosticados e serão responsáveis por aproximadamente 50% de todos os novos diagnósticos. O câncer de próstata isoladamente será responsável por 29% (241.740) dos casos incidentes.

Para as mulheres, os cânceres de mama, pulmão e brônquios e cólon e reto serão o 3 tipos de câncer mais comumente diagnosticados e também serão responsáveis por aproximadamente metade de todos os novos casos. Espera-se que o câncer de mama isoladamente explique 29% (226.870) de todos os casos diagnosticados.

“A importância das tendências é que elas nos apontam a direção certa”, disse a Dra. Ward. “Se um tipo de câncer está aumentando, é importante saber as causas. Isso vai encorajar mais estudos para investigar esses achados.”


CA Cancer J Clin. Published online January 4, 2012.

Roxanne Nelson is a staff journalist for Medscape Oncology.